sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Interrupção buñueliana - depois de muito tempo e horas de sono dentro de uma mesma vida sem a contracapa do sonho. Vácuo de sentido consentido.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Todos os dias sem publicar o que escrevo. De uma paragem a outra. Um vale místico em Piedade dos Gerais - numa ponta - e, em outro recanto, o rumor exclusivo dos celulares pelo aeroporto. Tenho verificado que conversei muito pouco com pessoas nessas últimas horas.
De volta - Só posso descansar do início de gripe que me ataca pelo corpo em viagem - do dia primeiro até hoje -, assistindo a History Channel na cama larga de casal, enquanto respondo mensagens eletrônicas entre uma carta anterior e o sono, de novo.
Vou dissolvendo pouco a pouco os pop-ups que me ameaçam de falso débito sem fim e corte abrupto de provedor.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Vida em Fotogramas - Fragmentos Muybridge -
Qualquer animal me leva à coleção, ao jogo algébrico, ao álbum de figurinhas onde me eduquei e podia correr até a imagem real, porém fugitiva quando acariciava o vira-lata de breve vida.
Hoje, Santo se dirige à geometria dos mesmos recantos - dobras de árvores, losangos com areia e pedras pequenas bem talhadas em série, poças, resíduos, manchas.
Enquanto ele pára e ausculta seus pedaços de espaço, leio um convite recebido na saída da portaria do prédio - Palestra sobre Frank O'Hara com professores e analistas correlatos em certo Centro-Cultura. Mas O'Hara é um poeta de rua. Larga, hiperpovoada segunda Avenida (ou então, ao telefone, ele simplesmente anota enquanto vai falando. Ele, presa do instante, sob todas as circunstâncias, sem atenuantes do ato escrito.
Criança crisálida - fonte de revelações sob o engano crescente dos anos e o cerco estirado do fim, em volta de si.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Hora de sair com Santo, o whippet sob nosso zinco. Com seu faro e focinho bem finos, sai comigo a perfurar sol e sombra da Paulistânia (chamado geral de nossa cidade móbile, criada a cada fuga, a cada vontade de pertencimento, a Santo, por exemplo, rua afora).
A música deve ser do Animal Collective, igual a que toca no I-pod de Mel, minha mulher, e ela exibiu antes para mim, faixa por faixa, depois de ter "baixado" o disco. Compactação e Simultaneidade. A música toca agora na vizinhança com um efeito de contigüidade até então não suspeitado. Há vizinhos na captura desse som. A gente quase não cruza com ninguém no Edifício Paulistânia.